#4 25 de Junho em Cachoeira (parte I)

A Revolução Constitucionalista gerou tensão nas relações entre lusos e brasileiros. O congresso sediado em Portugal insistia no erro político de se impor ao Brasil como a uma colônia. No dia 2 de Junho de 1822 Pedro de Alcântara tomou conselho com três procuradores de província (2 do Rio e o de Montevideu), e obteve a seguinte resposta, conforme Varnhagen:

No dia 19 de junho Pedro I foi aclamado Imperador do Reino Unido no Rio de Janeiro.

Os deputados baianos em Lisboa também tinham intenção de ouvir a Junta Provisória da Bahia sobre a posição política a ser tomada na corte, o que foi feita por carta datada de 22 de março de 1822. As questões eram as seguintes:

Como a Cidade da Bahia encontrava-se esvaziada pelas violentas hostilizações mútuas entre brasileiros e portugueses (veja o artigo da wikipedia para maiores informações), a consulta seguiu para as cidades do Recôncavo. Chegou primeiro a Sto. Amaro no dia 14 de junho, e no dia 25 foi a vez da câmara de Cachoeira respondê-las. É a heróica resposta a essas questões que se comemora nesta data em Cachoeira.

No dia 24 uma tropa com cem homens arregimentados no Iguape pernoitou no povoado de Belém. No dia seguinte pela manhã entraram em Cachoeira e passaram pelo centro da vila no caminho para a Casa de Câmara e Cadeia. A marcha dos soldados criou rebuliço. Uma escuna comandada por lusitanos havia estacionado no Paraguaçu; os acontecimentos de fevereiro em Salvador ecoavam no Recôncavo, sobretudo a afronta do assassinato de Joana Angélica no Convento da Lapa. Tensão, eletricidade e adrenalina. Os sentidos se aguçavam, os velhos eram vivos de novo, e queriam lutar.

Da janela da Casa de Câmara Manoel Teixeira de Freitas pergunta ao povo reunido no largo “se erão contentes que se acclamasse S. A. R. o Sr. D. Pedro de Alcantara, por Regente e Perpetuo defensor e protector do Reino do Brasil, assim no fórma que foi acclamado na cidade do Rio de Janeiro.”

Sim!!!

Eis que o procurador atira um estandarte janela afora, e a energia acumulada explode em vivas, como se nada mais importasse.

Às 15 horas os patriotas foram para a igreja matriz ouvir o Te Deum em homenagem a essa tomada de posição da elite açucareira. Após a solenidade, no fim do dia, o português Manoel Machado Nunes optou por uns tiros de fuzil como forma de escrever seu inexpressivo nome na história. Um desses tiros acertou a barretina do Major Joaquim José de Bacellar e Castro (mas de acordo com os registros que encontrei, nenhum deles acertou o peito de Tambor Soledade… mas isso é o tema da parte II desse post).

Já Agrário de Souza Menezes preferiu entrar para a história com os versos acima

Estimulados pelos tiros de Manoel Machado Nunes, e provavelmente sentindo-se excluídos de toda aquela felicidade, os militares portugueses ancorados no Paraguaçu resolveram lidar com o sentimento de rejeição se vingando do povo em terra. Foi quando começaram a atirar, mas estando a maré baixa, as três balas da metranca lusa só atingiram o cais do porto. À noite, no entanto, voltaram à carga, mirando nas janelas e portas dos brasileiros. Chegaram mesmo a desembarcar para impor ordem.

No dia seguinte voltaram a atirar. Incomodados, os cachoeiranos organizaram a famosa Junta Conciliatória e de Defesa e solicitaram que os visitantes inconvenientes interrompessem as hostilidades. Não foram atendidos. No dia 28 a escuna foi abordada por brasileiros que partiram do lado direito do Paraguaçu (hoje S. Félix – conforme Cacau Nascimento no blog Cachoeira OnLine). Vitória!

Enfim, a história do dia 25 de Junho é essa, embora os pesquisadores que se aprofundaram mais nos acontecimentos possam fazer correções ou acrescentar dados. Nessa história toda da Independência da Bahia eu sempre me admiro com o signo dos caboclos, que eu pretendo abordar na parte III desse post. Vou escrevendo aos poucos… hoje não tem vídeo. O das Caretas do Mingau continua aí para quem ainda não viu.

Fontes:

História Geral do Brasil, de Varnhagen (tomo segundo);

Independência da Bahia, de Braz Amaral;

Memórias Históricas Brasileiras, de Damasceno Vieira (tomo segundo).

1 comentário

Arquivado em Sobre o Recôncavo

Uma resposta para “#4 25 de Junho em Cachoeira (parte I)

  1. que beleza, Hugo… aos poucos vou tomando ciencia da historia baiana, e isso muiot me alegra.
    adoro seu blog….

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