#8 Ofício de Ogum

A profissão de Mestre Ferreiro vai desaparecer em futuro próximo. Algumas das funções que ela cumpria na sociedade deixaram de existir, outras foram absorvidas pelos serralheiros. Não é o caso de se lamentar, mesmo porque não é em agonia que o ofício se extingue. O mundo muda, e os conhecimentos do ferro e do fogo tendem a sobreviver em outros contextos.

 

Aquarela de Carybé ("Os Deuses Africanos no Candomblé da Bahia") e texto de Reginaldo Prandi publicado em "Mitologia dos Orixás" p.95

 

No Candomblé, Ogum é quem domina a forja e a manufatura das ferramentas de ferro. Entre elas estão os instrumentos de agricultura, caça, guerra e todos

 

"Ferramenta de Ogum" aquarela de Carybé (Os Deuses Africanos no Candomblé da Bahia)

 

os utensílios que colaboram para o bem-estar na cidade e no campo. O mito faz referência a um tempo fora da história, quando os Orixás, antes dos humanos, aprenderam a utilizar os metais para superar desafios e satisfazer as demandas da vida em sociedade. O ferro ajudava a suprir necessidades de alimentação e moradia, e também culturais, uma vez que os objetos acabam materializando o jogo de identidade e diversidade nos grupos sociais.

A durabilidade do ferro chega a ser quase subversiva. Quem andar em Cachoeira e der atenção aos gradis que muitas casas ainda exibem, vai observar padrões de desenhos diversos, cheios de significados. Eles ajudaram a construir o estilo e a identidade do município, colaborando para definir por um lado a aparência da cidade, de outro, a forma como a sociedade se organiza.  Eles falam de status social, mas também de interesses, ofícios, saberes, posições políticas, grupos aos quais os habitantes se vinculam… um símbolo recorrente é a lira, que compõe a decoração de várias residências e depõe sobre a inserção de um grupo de indivíduos na sociedade.

 

Trecho de Pierre Verger sobre Ogun - Os Deuses Africanos no Candomblé da Bahia

 

 

"Ferro de Ogum" aquarela de Caybé (Os Deuses Africanos no Candomblé da Bahia)

 

Por ser durável, o ferro acaba por servir de testemunha e suporte de uma memória social que incomoda sobretudo aos proprietários dos edifícios. Como a cidade é tombada, eles testam a própria paciência esperando a cumplicidade do tempo para arruinar as construções dos séculos passados. É preciso dizer que o incômodo não procede de uma leitura inteligente da arquitetura e do urbanismo, mas de pura especulação imobiliária. Em geral os cachoeiranos têm bastante orgulhos de sua cidade. Não é o caso, portanto, de jogos de poder, controle da memória, e nada disso. Nesse caso a violência em relação ao patrimônio é bem mais truculenta e teimosa.

Enfim, o século XXI parece estar se desvencilhando da matéria tanto quanto é possível. Os objetos vêm prontos de fábrica, e não é difícil pensar que  a matéria-prima pode se transformar em produto sem a presença de um ser humano sequer. Os objetos de desejo muitas vezes são suportes que vão intermediar a experiência da música, da imagem, do vídeo ou do texto… Para essa sociedade tão próxima dos ambientes virtuais, os objetos feitos artesanalmente acabam se transformando em algo de uma ousadia extravagante, luxuosa até.

O apelo aos sentidos, a textura, a ferrugem, as marcas, os vestígios que denunciam o processo de produção ao invés de apagá-lo como fazem as indústrias, essa realidade toda permite a experimentação de algo nem um pouco vulgar em nosso tempo. A frequentação pelo tato e pelo olfato, para além do audiovisual que predomina em nosso tempo. Frequentação não de um objeto de plástico, alumínio ou imitação de madeira, materiais quase onipresentes na vida contemporânea e que repercutem o jogo industrial da vida útil do produto: entre o novo e o lixo o intervalo de tempo é cada vez mais curto. Mas a frequentação de objetos imediatos cheios de significados que somente a experiência sensível pode produzir.

No vídeo abaixo acompanhamos Guino, mestre ferreiro que vive em Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, falando sobre sua profissão e produzindo

 

"Ferramenta de Yemanjá" aquarela de Carybé (Os Deuses Africanos no Candomblé da Bahia)

 

uma ferramenta de Yemanjá, conforme aquarela de Carybé publicada no livro “Os Deuses Africanos no Candomblé da Bahia“. Aqui ele trabalha como um bricolleur, reaproveitando materiais diversos e não somente o ferro.

Disponibilizar a informação em vídeo, ou seja, a partir do intermédio da câmera, dá o que pensar… sobretudo com a defesa da experiência tátil exposta acima. Mas é o que se tem, e de modo algum pretendo negar a validade da experiência da vida contemporânea, e nem deixar de participar dela. Não há o que se lamentar, isso já foi dito acima. A lente da filmadora vê coisas que o olho não vê, e as imagens em zoom parecem ser mais reais do que a realidade ela mesma. Traduzir o espaço real para o virtual é o meio disponível para investigar e compartilhar a experiência, e para reconstruí-la, ordená-la e servi-la como se deseja.

 

"Espada de Ogum" aquarela de Carybé ("Os Deuses Africanos no Candomblé da Bahia")

 

3 Comentários

Arquivado em Uncategorized

#7 A chula cristã de Boião

Nelson Mendes, conhecido por Boião, é mestre gritador de chula que vive em São Francisco do Conde. Como a maioria dos sambadores do Recôncavo, aprendeu a arte quando criança, observando os mais velhos. Trabalhou como pescador e embarcadiço no tempo do trânsito intenso de saveiros na Bahia de Todos os Santos, e por conta desse ofício conheceu várias cidades à beira-mar. Um samba em cada porto.

Entrou para a Assembléia de Deus para deixar de fumar e de beber. Deixou de sambar, por muitos anos. Vivia nos fundos da casa de seu cunhado, Zé de Lelinha, violeiro lendário que dominava como poucos a arte da viola machete. Não sambava, mas via o samba acontecer com o registro de patrimônio nacional e depois com o reconhecimento de obra prima da humanidade. Zé de Lelinha deu aulas de viola a Milton Primo, e Milton encontrou Boião no terreiro da casa do mestre.

Boião voltou a fazer chula quando saiu da Igreja. Procurou músicas na memória e encontrou mais de 300 chulas antigas. Algumas delas já não eram tocadas a muito tempo. A mente de Boião guarda um acervo raro de peças que constituem a base de uma memória social importante para o Recôncavo da Bahia. É o modo de viver dos embarcadiços que abasteciam a Cidade da Bahia dos bens que seus habitantes necessitavam. Essa atividade envolveu muitos grupos sociais em uma realidade viva e complexa, e o que Boião guarda é a produção poética (ou algo mais que isso) desses grupos.

Boião deixou a Igreja, mas não perdeu a fé. No início deste ano tive oportunidade de conhecê-lo e registrar algo de sua produção atual. Suas chulas agora falam de Deus e de Jesus. É interessante porque Boião mantém a chula em compasso com os momentos de sua vida. A linguagem pode ser utilizada para a criação de discursos diversos, o importante é matê-la viva e arejada.  Boião é um mestre que sabe o que faz, e faz o que quer.

Veja o vídeo abaixo:

Milton Primo, que no vídeo acima acompanha Boião na viola, fez um filme com algumas das chulas antigas gritadas por Boião. O título é “Ouça Meu Palavreado” e está dividido em três partes no canal do músico no You Tube, clique aqui para ser direcionado.

EM TEMPO…

A pareia de Boião é Zé de Paulo (voz e pandeiro), e a viola machete que os acompanha é tocada por Milton Primo. Eles vão se apresentar no Sesc Madureira, no Rio de Janeiro, dias 18 e 25 de setembro. Quem estiver na cidade maravilhosa, vale a pena!

Ps. Aos que acompanham este blog, peço desculpas por não atualizá-lo na frequência prometida. Motivos de força maior me impedem de fazê-lo, mas acho que no fim de setembro as coisas vão se normalizar.

6 Comentários

Arquivado em Uncategorized

#6 25 de Junho em Cachoeira (parte III)

Objetos portadores de significado têm força, são complexos e vivos, e podem ser utilizados em discursos diversos, até mesmo opostos. Talvez por ser território historicamente cosmopolita, cenário onde se encontraram e ainda se encontram elementos de culturas diversas, o Recôncavo da Bahia tenha se tornado lugar privilegiado para construção de símbolos. E para manipulação de seus significados.

Clique na caixa para baixar o livro "O que é Semiótica?" e ver outros textos de Lúcia Santaella disponíveis no 4shared.

O símbolo mais forte da Bahia é o Caboclo. Ele reúne religiosidade e civismo, além de se relacionar a uma concepção ideal de liberdade: a liberdade do passado (memória idílica, construída desde a carta de Caminha e reforçada no século XIX); e a liberdade futura, eternamente desejada, nunca alcançada. Além disso, quanto à forma, o caboclo é dois: tanto pode ser o mestiço das matas, guerreiro, caçador e conhecedor das ervas; como pode ser o vaqueiro do sertão. Essa ambiguidade garante a unidade entre floresta e caatinga.

Em vários municípios (Salvador, Saubara, Santo Amaro, São Félix…) imagens de Caboclos e Caboclas são levadas em cortejo no dia 2 de Julho, celebrando a Independêcia. O evento rememora a entrada vitoriosa do Exército Pacificador na Cidade da Bahia, marcando o fim da guerra. Segundo Manuel Querino, citado por Raul Lody no Dicionário de Arte Sacra e Técnicas Afro-Brasileiras, o costume teve início em Salvador logo no ano seguinte à independência, quando

“lançaram mão de uma carreta tomada dos lusitanos, nos combates de Pirajá, enfeitaram-na com ramo de café, fumo, cana e folhas brasileiras e sobre a carreta colocaram um velho mestiço descendente de indígenas. E assim conduziram do largo da Lapinha ao Terreiro de Jesus.”

Em 1826 o velho mestiço foi substituído pelas imagens do Caboclo e da Cabocla esculpidas em madeira. Elas foram associadas à liberdade do Brasil. As imagens e o cortejo vieram a consolidar um dos significados possíveis do signo caboclo, e  colaborou para que ele se transformasse em símbolo com o qual o povo baiano se identificasse.

Entrada do Exército Pacificador na Cidade da Bahia - litografia de Bento Capinam, 1830. Será que é um caboclo no canto inferior direito?

Os caboclos representam a independência do Brasil. Originariamente suas imagens estão comprometidas com um trabalho muito cuidadoso cujo objetivo era construir uma memória oficial para a Bahia e para o Brasil. Quanto maior fosse a celebração popular, quanto mais pessoas no cortejo, quanto mais forte a mobilização em torno do símbolo, maior o espaço dos grupos baianos no jogo de poder da nação recém independente.

Além disso, quanto maior fosse a identificação com o símbolo dos caboclos, maior o sentimento de pertencimento das pessoas em relação à província e ao país. A diversidade étnica brasileira sempre dificultou uma definição de “ser brasileiro”, sobretudo nos moldes em voga no século XIX. Qual seria o caráter desse povo afinal? É possível chamar essa massa heterogênea de povo?

Ao menos na esfera local o símbolo dos caboclos foi bem sucedido nesse ponto. Ele conseguiu reunir todos (ou quase todos) os grupos sociais, permitindo a identificação de cada um deles através de olhares diferentes. E no final das interpretações, sobra o que há de comum a todos: o mito guerreiro, o batismo de fogo da nação independente, a posição heróica do povo baiano nesse processo, a vitória, a unidade, etc.

Detalhe do Monumento ao 2 de Julho, feito por Carlo Nicoli - Salvador/BA

A imagem do caboclo é alimentada por uma infinidade de referências. O dragão a seus pés representa o inimigo lusitano, mas também o insere no bem conhecido universo da iconografia cristã relacionando-o tanto ao Arcanjo Miguel como a S. Jorge. Por outro lado, a representação do continente americano sempre foi feita através da imagem idealizada do indígena. É, aliás, interessante o modo como o olhar do europeu ganha outro  significado no processo de construção da identidade local.

Em relação aos grupos africanos a imagem do caboclo também se desenvolve em terreno fértil. Figura central na tradição de Angola, o indigena sempre foi respeitado pelas nações africanas. Além disso, a figura do homem das matas, guerreiro, caçador, médico, já existia entre as etnias africanas que colonizaram o Brasil.

Mas há um incômodo em tudo isso. O processo de independência (1822/23) não foi abolicionista. Encontra-se cronologicamente entre duas outras revoluções importantes: a Conjuração Baiana (1798) e a Revolta dos Malês (1835), ambas de caráter popular e abolicionista. Ainda assim a memória da independência se relaciona à liberdade…

*******

O costume do cortejo penetrou nos municípios do Recôncavo, sendo que somente em Cachoeira ele se relaciona a uma memória diferente. Lá ele comemora a entrada da tropa arregimentada no Iguape pelos coronéis José Garcia Pacheco e Rodrigo Antônio Falcão. Mas no fundo diz menos respeito aos atores do que ao palco dos eventos, comemorando sobretudo a participação do município, como se fosse um ente animado por vida própria. É a cidade que é heróica, seus moradores só o são por extensão.

Em Cachoeira e São Félix o ritual ainda ganha outras dimensões. No século XIX boa parte do terreno à margem direito do Rio Paraguaçu pertencia a Cachoeira, incluindo aí municípios como Castro Alves, Sapeaçu, Conceição do Almeida, etc. São Félix foi a primeira cidade a se emancipar, logo no início da República, e o casal de caboclos se separou.

A Cabocla vive em São Félix, sob a guarda de Beatriz da Conceição (Bibi) na Casa de Cultura Américo Simas; e o Caboclo ainda mora em Cachoeira. No dia 24 de junho a Cabocla, devidamente enfeitada, atravessa a ponte Pedro II para encontrar o Caboclo, e ambos são conduzidos em cortejo de pessoas notáveis das duas cidades até uma palhoça na Rua da Feira. No dia seguinte mais cortejo, até a Casa de Câmara e Cadeia, onde tudo aconteceu em 1822 (ver post anterior).

O interessante disso tudo é a celebração da união entre as duas cidades, tão distintas do ponto de vista político, mas que não podem abrir mão da tradição profundamente enraizada. Depois, no dia 27 de junho o casal volta a São Félix, onde continuam o namoro até o dia 2 de Julho, data do cortejo Sanfelixta, este sim celebrando o fim da guerra, em 2 de Julho de 1823.

Muitos foguetes e muito barulho em todo esse movimento. A beleza maior dessa tradição talvez nem seja a celebração histórica, que precisa ser revisitada e constantemente discutida. A maior beleza é identificar na constituição dos grupos de notáveis de Cachoeira e de São Félix, pessoas que não se agregam aos grupos oficiais de poder de nenhuma das duas cidades, mas que constituem forças enormes nas pequenas comunidades de que fazem parte. Essas pessoas que estão lá pelo profundo respeito que têm à entidade do Caboclo, percebem nele a representação de algo que extrapola a manutenção do status quo e o identificam com a possibilidade de transformação social.

BlogBlogs.Com.Br

2 Comentários

Arquivado em Sobre o Recôncavo

#5 25 de Junho em Cachoeira (parte II)

Em 1826 Pedro I aprovou a criação de um monumento que homenageasse os feitos heróicos do 25 de Junho, desde que fosse erigido às custas da própria vila de Cachoeira. Não saberia dizer se a partir da autorização imperial houve algum movimento no sentido de concretizar a obra, mas a informação indica algo interessante:

1º Controle do Império sobre os símbolos nacionais, uma vez que sua construção dependia da aprovação do Regente;

2º Pressa dos Cachoeiranos em definir e cristalizar o discurso oficial da memória do 25 de Junho tão logo se iniciasse o período de estabilidade pós-independência;

3º Conformidade de projetos políticos, ou antes, inserção das perspectivas da elite açucareira na base de sustentação da monarquia.

Se fosse concedido a cada província o direito de construir a própria memória o resultado provável seria a concorrência entre signos de identidade local e signos nacionais (também em construção), um risco para a unidade territorial brasileira. Os símbolos eram regulados com parcimônia, e o fato de Cachoeira ter conseguido autorização para fortalecer a imagem de seu heroísmo através da criação de um monumento não é coisa vulgar. Por um lado indica a força da pressão dos grupos de poder político e econômico da vila (e do Recôncavo, por que não?) junto ao Império; e por outro revela a intenção desses grupos de legitimar o próprio poder vinculando a si mesmos um papel proeminente no processo de independência que definiria qualquer cenário político a partir de então, fosse ele qual fosse.

Por algum motivo esse monumento não foi erigido, não vou especular agora (se alguém puder contribuir com alguma referência sobre isso ela será bem acolhida nos comentários). Isso não quer dizer que a memória oficial não tenha sido construída, ela o foi, mas por outros meios: narrativa histórica, procissão com os caboclos, discursos inflamados no 25 de Junho, etc. Faltava porém uma imagem que desse forma e concretude ao acontecimento.

Em 1923, quase um século depois, a Câmara dos Deputados do Estado da Bahia já havia aprovado o gasto de 50 contos de réis com um monumento que celebrasse o 25 de Junho em Cachoeira. Alberto Rabello, autor do projeto, aproveitou a comemoração do centenário da independência para cobrar o resgate dessa dívida de honra, que vae já tomando lastimaveis proporções de ingratidão e injustiça.” (Diário Official do Centenario, p.172) Nessa mesma ocasião faz referência a um contrato firmado na Secretaria do Interior com “distincto esculptor italiano” para a execução da obra.

Não dispomos de mais nenhuma informação sobre esta encomenda ou sobre o artista italiano que a executaria. Carlos Nicoli, talvez? O mesmo criador do Caboclo da Praça 2 de Julho? Seria o caso de buscar essa informação nos diários oficiais anteriores a maio de 1923 ou em periódicos. Se alguém se interessar pela pesquisa, por favor mande notícias!

O fato é que o monumento mais uma vez não foi construído. Em 1928 Antônio Parreiras, laureado pintor fluminense, foi contratado pelo governo do estado para pintar uma tela histórica de tema o primeiro passo para independência na Bahia. O valor:  cincoenta contos de réis (50:000$000). Tive acesso ao texto do contrato no Museu Antônio Parreiras, em Niterói, em 2007.

Ele foi firmado no dia 24 de outubro de 1928 entre a Secretaria do Interior, Justiça e Instrução, representado pela pessoa de Francisco Prisco de Souza Paraizo, e o pintor Antônio Diogo da Silva Parreiras. O governador do estado na época era Vital Soares.

Uma das cláusulas do contrato definia que seria representado o evento do dia 25 de Junho, e o artista deveria se basear não só nos documentos dos arquivos e bibliotecas da Bahia, de Cachoeira e do Rio de Janeiro, mas também (e principalmente) na detalhada descripção feita pelo Dr. Bernardino José de Souza apresentada no ano de 1922 em Cachoeira.

O Primeiro Passo para a Independência da Bahia, 1931 - Antônio Parreiras. Palácio Rio Branco, Salvador, BA.

Ainda que partindo de uma fonte bibliográfica detalhada, as dificuldades para o artista eram imensas. Primeiro porque o governo encomendante exigia certos requintes de realismo: “…o scenario será pintado no proprio local e reconstituido com a maxima fidelidade e as personagens que se distinguiram em tão glorioso momento serão retratadas quando houver retrato ou documentos que sirvam como orientação para este fim.”

Casa de Câmara e Cadeia - Cachoeira

Casa de Câmara e Cadeia - Cachoeira Casa de Câmara e Cadeia - Cachoeira Casa de Câmara e Cadeia - Cachoeira

Outra dificuldade, comum ao gênero da pintura de história, é condensar em um único momento, os episódios de um dia inteiro. Ou seja, era necessário escolher o instante que melhor representasse o episódio. Mas a imagem é construída a posteriori, não é obviamente como uma fotografia. Ou seja, até o realismo é construído, e a imagem parecerá mais verdadeira quanto mais coincidir com a narrativa oficial conhecida por todos. A pintura será mais realista quanto mais  dessa narrativa nós reconhecermos nela, ainda que para isso o artista subverta a cronologia da história e condense no mesmo instante momentos sabidamente diferentes.

É uma espécie de licensa poética, a mesma licença que permite por exemplo que a arquitetura ou o plano urbanístico seja manipulada para acolher melhor a cena. Embora o largo da Casa de Câmara e Cadeia seja perfeitamente reconhecível na pintura, o artista opera um verdadeiro milagre ao distanciar um quarteirão inteiro (o do prédio do IPHAN – edifício cor de rosa com portas verdes) e aproximar o Paraguaçu, de tal modo que a escuna portuguesa pudesse dar o ar da graça (ver post anterior). É o ponto de vista mais impossível de todos, mas perder o Paraguaçu é um preço alto demais para exageros realistas.

Largo - vista a partir da Casa de Câmara - Foto de Elias Mascarenhas

Largo - vista a partir da Casa de Câmara - Foto de Elias Mascarenhas

De mais a mais, em matéria de pintura histórica e auto-promoção (essa é outra história…) Parreiras foi aluno de Pedro Américo, que já dizia:

trecho de O Brado do Ipiranga - Cláudia Valladão e Cecília Helena Oliveira (org) Clique para ver o livro no Google Books

Tudo indica que logo após conseguir a encomenda do quadro (grande o suficiente para que as imagens em primeiro plano tivessem tamanho natural), partiu para o município de Cachoeira a fim de estudar o cenário do episódio. Hospedou-se no Convento do Carmo, onde fez amizade com Frei Margallo (o encontro é narrado em sua autobiografia). No palco da ação conseguiu outra encomenda. Deveria reproduzir o quadro que pintaria para o Governo da Bahia em ponto pequeno (1/3 do tamanho da tela original), e para isso receberia 5 contos de réis, a serem pagos em duas parcelas: a primeira na entrega, e a segunda um ano após. A encomenda foi feita pelo intendente, cujo nome está quase totalmente ilegível no contrato (algo como Candido Lemegundes Bas…to – por favor, se alguém puder oferecer o nome correto).

Entre as duas versões, existem algumas pequenas diferenças, o que nos autoriza pensar que a que está exposta em Cachoeira foi pintada provavelmente em primeiro lugar, como um estudo muitíssimo bem feito. Alguns detalhes sutis foram modificados entre uma e outra, como por exemplo as feições dos personagens dos grupos menos importantes, que são melhor observados na representação que está na Casa de Câmara e Cadeia de Cachoeira. Na tela do Palácio Rio Branco o desenho bem feito cede lugar a uma iluminação diáfana, em que o desenho cede lugar à atmosfera de reflexos brilhantes e variações sutis de cores. Também foram feitas correções no aspecto de alguns personagens, como é o caso do padre Vilaboim, atrás do grupo do vaqueiro, que é representado como um velho no quadro de Salvador, e no de Cachoeira ele é jovem. Provavelmente esta foi uma alteração feita a pedido do governo da Bahia.

Muitos outros detalhes podem ser encontrados no exercício de diferenciar o primeiro do segundo quadro. Ambos acabam sendo obras únicas, e a pintura de Cachoeira ajuda a entender o processo de criação do artista. Sei que no Museu Antônio Parreiras existem estudos em carvão sobre o tema, mas não foi possível vê-los em minha visita. Mas cheguei a ver um esboço no Palácio Rio Branco que se aproxima mais do de Cachoeira do que do de Salvador, confirmando a hipótese.

A composição evidentemente é a mesma. O largo da Casa de Câmara e Cadeia se abre para receber tropas e populares que exultam com a Independência. Os homens estão sólidos com as pernas abertas em triângulos (como os Horácios de David, porém sem vigor). Essa posição se repete na maior parte dos personagens, da mesma forma como as mãos erguidas (algumas com espadas, outras com chapéus) continuam a linha das pernas, e as garruchas fazem linhas paralelas.

O Primeiro Passo para a Independência na Bahia

O Primeiro Passo para a Independência na Bahia - versão de Cachoeira

Aliás, é um eco sem fim essa composição, cuja monotonia é quebrada apenas por um estropiado que vem do fundo para a frente do quadro e pelo Tambor Soledade, que morre no primeiro plano. Diferença marcante entre os dois quadros é a expressão do rapaz que acompanha Soledade: saudável e pouco expressivo no quadro de Cachoeira, com olheiras profundas e maior dignidade no quadro do Palácio Rio Branco (vejam as ombreiras, muito mais elegantes), como se toda a originalidade estivesse (e está mesmo) concentrado nessas duas figuras. O resto é um júbilo meio burocrático.

Parreiras já era um senhor de 68 anos quando recebeu a encomenda do Primeiro Passo para a Independência na Bahia, e dedicou os últimos anos de sua vida à produção de pinturas de história. Muito conhecido como paisagista, Parreiras pertenceu à última geração para a qual a pintura de história ainda significava alguma coisa. E foi encontrar encomendas justamente nos últimos lugares aonde a pintura de história ainda fazia sentido, ou seja, nas províncias.

O grande momento do gênero de pintura de história aconteceu no Brasil entre a Primeira Missa no Brasil por Vítor Meireles em 1863 e o Grito do Ipiranga de Pedro Américo em 1888, sendo estes dois os grandes e inigualáveis pintores de história  do reinado de Pedro II. Parreiras, nascido em 1860, cresceu sob a influência de ambos, e possivelmente se reconhecia como artista muito mais ao lado deles do que em relação a seus contemporâneos. Há na obra de Parreiras um desejo de grandeza que só encontra correspondência na arte das gerações anteriores. Foi o último dos enormes. A arte moderna já não era dada a tantas eloquências.


5 Comentários

Arquivado em Sobre o Recôncavo

#4 25 de Junho em Cachoeira (parte I)

A Revolução Constitucionalista gerou tensão nas relações entre lusos e brasileiros. O congresso sediado em Portugal insistia no erro político de se impor ao Brasil como a uma colônia. No dia 2 de Junho de 1822 Pedro de Alcântara tomou conselho com três procuradores de província (2 do Rio e o de Montevideu), e obteve a seguinte resposta, conforme Varnhagen:

No dia 19 de junho Pedro I foi aclamado Imperador do Reino Unido no Rio de Janeiro.

Os deputados baianos em Lisboa também tinham intenção de ouvir a Junta Provisória da Bahia sobre a posição política a ser tomada na corte, o que foi feita por carta datada de 22 de março de 1822. As questões eram as seguintes:

Como a Cidade da Bahia encontrava-se esvaziada pelas violentas hostilizações mútuas entre brasileiros e portugueses (veja o artigo da wikipedia para maiores informações), a consulta seguiu para as cidades do Recôncavo. Chegou primeiro a Sto. Amaro no dia 14 de junho, e no dia 25 foi a vez da câmara de Cachoeira respondê-las. É a heróica resposta a essas questões que se comemora nesta data em Cachoeira.

No dia 24 uma tropa com cem homens arregimentados no Iguape pernoitou no povoado de Belém. No dia seguinte pela manhã entraram em Cachoeira e passaram pelo centro da vila no caminho para a Casa de Câmara e Cadeia. A marcha dos soldados criou rebuliço. Uma escuna comandada por lusitanos havia estacionado no Paraguaçu; os acontecimentos de fevereiro em Salvador ecoavam no Recôncavo, sobretudo a afronta do assassinato de Joana Angélica no Convento da Lapa. Tensão, eletricidade e adrenalina. Os sentidos se aguçavam, os velhos eram vivos de novo, e queriam lutar.

Da janela da Casa de Câmara Manoel Teixeira de Freitas pergunta ao povo reunido no largo “se erão contentes que se acclamasse S. A. R. o Sr. D. Pedro de Alcantara, por Regente e Perpetuo defensor e protector do Reino do Brasil, assim no fórma que foi acclamado na cidade do Rio de Janeiro.”

Sim!!!

Eis que o procurador atira um estandarte janela afora, e a energia acumulada explode em vivas, como se nada mais importasse.

Às 15 horas os patriotas foram para a igreja matriz ouvir o Te Deum em homenagem a essa tomada de posição da elite açucareira. Após a solenidade, no fim do dia, o português Manoel Machado Nunes optou por uns tiros de fuzil como forma de escrever seu inexpressivo nome na história. Um desses tiros acertou a barretina do Major Joaquim José de Bacellar e Castro (mas de acordo com os registros que encontrei, nenhum deles acertou o peito de Tambor Soledade… mas isso é o tema da parte II desse post).

Já Agrário de Souza Menezes preferiu entrar para a história com os versos acima

Estimulados pelos tiros de Manoel Machado Nunes, e provavelmente sentindo-se excluídos de toda aquela felicidade, os militares portugueses ancorados no Paraguaçu resolveram lidar com o sentimento de rejeição se vingando do povo em terra. Foi quando começaram a atirar, mas estando a maré baixa, as três balas da metranca lusa só atingiram o cais do porto. À noite, no entanto, voltaram à carga, mirando nas janelas e portas dos brasileiros. Chegaram mesmo a desembarcar para impor ordem.

No dia seguinte voltaram a atirar. Incomodados, os cachoeiranos organizaram a famosa Junta Conciliatória e de Defesa e solicitaram que os visitantes inconvenientes interrompessem as hostilidades. Não foram atendidos. No dia 28 a escuna foi abordada por brasileiros que partiram do lado direito do Paraguaçu (hoje S. Félix – conforme Cacau Nascimento no blog Cachoeira OnLine). Vitória!

Enfim, a história do dia 25 de Junho é essa, embora os pesquisadores que se aprofundaram mais nos acontecimentos possam fazer correções ou acrescentar dados. Nessa história toda da Independência da Bahia eu sempre me admiro com o signo dos caboclos, que eu pretendo abordar na parte III desse post. Vou escrevendo aos poucos… hoje não tem vídeo. O das Caretas do Mingau continua aí para quem ainda não viu.

Fontes:

História Geral do Brasil, de Varnhagen (tomo segundo);

Independência da Bahia, de Braz Amaral;

Memórias Históricas Brasileiras, de Damasceno Vieira (tomo segundo).

1 comentário

Arquivado em Sobre o Recôncavo

#3 Caretas do Mingau

Caretas do Mingau é uma das celebrações mais interessantes da Independência da Bahia. Na madrugada do dia 1º para o dia 2 de Julho as mulheres do município de Saubara, vestidas de branco e com os rostos cobertos, se reúnem para percorrer as ruas da cidade distribuindo mingau, bebendo licores e fazendo a maior algazarra do mundo. Dona Maria da Cruz Santos, de 84 anos, lidera a brincadeira que relembra o papel importante das mulheres do então distrito da Freguesia de São Domingos de Saubara.

 

Para Judite Barros, principal pesquisadora da História e da Cultura de Saubara, esta é a manifestação folclórica mais antiga do município. A história é a seguinte: depois dos acontecimentos do dia 25 de Junho em Cachoeira (essa história será contada no post #4, daqui a 15 dias), a guerra pela Independência na Bahia foi inevitável. Salvador encontrava-se ocupada por portugueses, de modo que a resistência baiana aconteceu sobretudo no interior, e principalmente no território do Recôncavo da Bahia de Todos os Santos: Itaparica, Madre de Deus, Sto. Amaro, S. Francisco do Conde, Cachoeira, Maragojipe, Nazaré, Salinas da Margarida e algumas outras vilas sediaram combates e abrigaram os exércitos brasileiros arregimentados no Recôncavo e no Sertão.

Capa do livro de Judite Barros sobre Saubara

Desde 1696 o território de Saubara era distrito da Freguesia de Santo Amaro. Situado logo na entrada direita do Rio Paraguaçu, é possível ver pelo mapa retirado da wikimapia que o terreno era estratégico para a resistência, pois era passagem necessária das tropas portuguesas no caminho para o interior. A defesa desta região foi comandada pelo Padre Manuel José Gonçalves Pereira, que convenceu os pacatos homens da terra a se armar contra os lusos.

O povoado acabou se esvaziando, uma vez que a maior parte dos homens se deslocou para o mato, como nas guerrilhas. A cidade foi ocupada por alguns portugueses inimigos. Foi aí que as mulheres inventaram a estratégia do Mingau para alimentar seus maridos, filhos e pais: fingindo-se de assombrações, saíam em grupo pelas madrugadas fazendo muito barulho e apavorando os portugueses. No caminho deixavam alimentos em locais previamente combinados, retornando à vila antes do amanhecer.

Essa é a lenda das Caretas do Mingau. Se ela é verídica, ou mesmo provável, é outra questão. O fato é que deu origem a uma manifestação cultural importante, e que reivindica o reconhecimento da participação feminina nas lutas pela independência. Aliás, o símbolo da independência em Saubara é feminino, é a Cabocla, saudada por todos no final da festa.

Hoje quem organiza as Caretas é Dona Maria da Cruz, sempre acompanhada por sua filha Justina. Antes dela era Dona Iaiá, Raimunda Alta do Rosário, quem fazia a festa acontecer. Parece que não é possível precisar a data em que o evento aconteceu pela primeira vez… como descobrir uma coisa dessas? Só mesmo se alguém encontrasse algum documento, relato de viajante, ou coisa parecida.

Saubara é uma cidade riquíssima em termos de patrimônio cultural, um espaço privilegiado onde as histórias são  fixadas por meio de brincadeiras. O que chama a atenção não é exatamente a combinação de música, dança e drama para compor as narrativas de fatos diversos, mas a quantidade de manifestações e o virtuosismo das comunidades locais no emprego dessa linguagem. Chega a ser um abuso a sofisticação com que os signos são trabalhados nos ranchos e ternos.

Chegança, Barquinha, Zé do Vale, Nego Fugido, Caretas (outras caretas diferentes das do Mingau), Lavagens, Ternos, Ranchos, Pastoris e Bailes variados, e muitas outras brincadeiras que eu não conheço… isso além de uma vertente poderosa de Samba Chula, Casas de Candomblé importantes e o ofício das Rendeiras (renda de bilro) bem organizado pela Associação das Rendeiras.

Não tenho dúvidas de que a maior contribuição que Saubara pode dar à sociedade global é a vitalidade de sua cultura e o gosto pela brincadeira. Dia 2 de Julho está chegando, e D. Maria da Cruz vai estar lá, mais uma vez, saudando a Cabocla.

1 comentário

Arquivado em Sobre o Recôncavo

#2 Antônio Cardoso, artista de Muritiba

Enguia

Conheci Antônio Cardoso na Conferência Municipal de Cultura de Muritiba, no ano passado. Ele estava deslocado em seu eixo temático. Primeiro porque não conseguia entrar na discussão, depois porque suas necessidades como artista já estavam suficientemente claras, e não encontravam eco no que se falava. Aconselhei que se reunisse a um artesão (também deslocado pelas mesmas razões) e que juntos criassem um documento em separado. Esse documento demandava do poder público apoio para produzir e lugar para expor.

Mulher

É claro que Antônio gostaria de viver de sua arte, e bem poderia. Mas cadê espaço? Criar, para ele, é necessidade urgente. Faz desenhos porque é o material que tem condições de comprar, mas seu sonho é a pintura e a tela. Enquanto isso, trabalha com hidrocor e lápis. Da última vez que o encontrei ele experimentava as cores de um barro vermelho encontrado próximo a sua residência (esses trabalhos com barro são formidáveis – Antônio também cria peças em barro não cozido).

Estudos para desenho de homem

Homem

Nessa urgência toda Antônio acabou definindo linguagem própria. Estudou alguma coisa de perspectiva pelo Instituto Universal Brasileiro, onde se formou como Mestre de Obras depois de ser excluído do ensino público (veja no vídeo). Seus pontos de fuga miram a frigideira e o gato. Na base equerda o edifício se projeta para o fundo, no topo direito quase despenca no primeiro plano. O espaço de Antônio cria um universo paralelo que subverte e supera a ordem do real, e acentua o caráter expressivo de sua linguagem.

Arquitetura

Não gosto e nem acredito no uso do termo naïf , que distingue a categoria de artistas sem estudo formal da categoria dos artistas artistas. A impressão que se tem é que as poéticas ingênuas partem de uma expressividade absoluta, que passa ao largo da consciência da linguagem. Creio que isso é falso, porque qualquer um que enfrente problemas de execução material, em alguma medida pensa questões de linguagem. Não é possível classificar o trabalho de Antônio antes de frequentá-lo, é o que eu quero dizer. E se propusermos uma aproximação honesta, livre de preconceitos, com sua obra, podemos ser levados a reconhecer nele um artista talentoso.

Pássaro

Vegetal

Quando muito pouco, deve-se reconhecer em seus trabalhos ao menos o valor da originalidade. Antônio desenha flores, animais e figuras humanas que são únicas, porque sua imaginação é singular. Os vegetais parecem ser a desculpa para a combinação de cores. Do caule verde brotam botões vermelhos e deles surge o ritmo. Sua enguia é bem estruturada, nobre com o peito estufado e olhar congelado no tempo. Não há caráter narrativo em suas peças, e as figuras parecem simplesmente existir em sua imaginação. A mulher que sofre, é uma mulher que sofre, e Antônio cria a imagem do sofrimento sem que seja necessário ligá-lo a um motivo. A enguia é nobre e a flor é elegante. O apelo não está na história, mas no exercício difícil que é dar  forma à qualidade e ao sentimento.

O mérito de Antônio como artista está em seu poder de expressão. Mesmo quando enfrenta temas narrativos, como a destruição do mundo, o que ressalta é a qualidade da desordem. E o espaço parece estar para ele sempre apartado do tempo. Confesso que tenho dificuldades de perceber o tempo em seus desenhos, mesmo quando o movimento, que deveria pressupô-lo, é evidente…

Depois da conferência de cultura, Antônio continua sem espaço para expor e sem apoio para produzir. Sua arte não é suficientemente reconhecida em sua cidade, o que é lastimável. Um trabalho que poderia ser motivo de orgulho, não consegue sequer a possibilidade de ser mostrado. A tristeza maior disso tudo é que um mínimo de reconhecimento poderia fazer a obra de Antônio crescer muito…  ele sabe o que faz, mas ninguém acredita nele. Paciência.

Homem de olhos amarelos e verdes

Destruição do Mundo

Mulher II

3 Comentários

Arquivado em Sobre o Recôncavo